SERVIDÃO VOLUNTÁRIA

                                                                                          José Luiz Duarte
Caro leitor, como é possível alguém voluntariamente optar pela servidão, submissão aos governantes ou outras entidades sociais, políticas, técnicas? O poder que um exerce sobre outros ou sobre um povo é legítimo, respeita liberdade e igualdade entre os homens? Os discursos dos palanques, o comportamento moral, os atos pessoais são verdadeiros ou mera demagogia?

Para responder a essa pergunta vamos recorrer a Etienne de La Boétie, escritor francês do século 16, reproduzindo partes de seu “Discurso sobre a Servidão voluntária”, que, nos ajudarão a nossa compreensão, a nossa consciência e espírito crítico da realidade de ontem e de hoje no mundo e no Brasil.

Qualquer analogia do texto de Etienne com a nossa realidade presente e passada e de outros povos, demonstra que certas relações humanas de poder pouco ou nada mudam.

Escreve Etienne em 1571:

“Muita gente a mandar não me parece bem;
Um só chefe, um só rei, é o que mais nos convém, escreve Homero na Iliade.
Teria toda a razão se tivesse dito apenas: ‘muita gente a mandar não me parece bem’.

Ter vários amos é ter outros tantos motivos para se ser extremamente desgraçado.

Quero para já, se possível, esclarecer tão-somente o fato de tantos homens, tantas vilas, cidades e nações suportarem às vezes um tirano que não tem outro poder de prejudicá-los enquanto eles quiserem suportá-lo; que só lhes pode fazer mal enquanto eles preferem agüentá-lo a contrariá-lo.

Digno de espanto, se bem que vulgaríssimo, e tão doloroso quanto impressionante, é ver milhões de homens a servir, miseravelmente curvados ao peso do jugo, esmagados não por uma força muito grande, mas aparentemente dominados e encantados apenas pelo nome de um só homem cujo poder não deveria assustá-los, visto que é um só, e cujas qualidades não deveriam prezar porque os trata desumana e cruelmente.
… temos frequentemente de nos curvar perante a força, somos obrigados a contemporizar, não podemos ser sempre os mais fortes.

Está na nossa natureza o deixarmos que os deveres da amizade ocupem boa parte da nossa vida. É justo amarmos a virtude, estimarmos as boas ações, ficarmos gratos aos que fazem o bem, renunciarmos a certas comodidades para melhor honrarmos e favorecermos aqueles a quem amamos e que o merecem.

Assim também, quando os habitantes de um país encontram uma personagem notável que dê provas de ter sido previdente a governá-los, arrojado a defendê-los e cuidadoso a guiá-los, passam a obedecer-lhe em tudo e a conceder-lhe certas prerrogativas;

Que nome se deve dar a esta desgraça? Que vício, que triste vício é este: um número infinito de pessoas não a obedecer, mas a servir, não governadas mas tiranizadas.

Temos o direito de afirmar que todos os que assim servem são uns míseros covardes? … todos eles servos e escravos, mesmo os mais favorecidos, que nome é que isto merece? Covardia?

Ora todos os vícios têm naturalmente um limite além do qual não podem passar. Dois podem ter medo de um, ou até mesmo dez; mas se mil homens, se um milhão deles, se mil cidades não se defendem de um só, não pode ser por covardia.

Ora o mais espantoso é sabermos que nem sequer é preciso combater esse tirano, não é preciso defendermos-nos dele. Ele será destruído no dia em que o país se recuse a servi-lo. Não é necessário tirar-lhe nada, basta que ninguém lhe dê coisa alguma. Não é preciso que o país faça coisa alguma em favor de si próprio, basta que não faça nada contra si próprio.

É o povo que se escraviza, …, que, podendo escolher entre ser livre e ser escravo, se decide pela falta de liberdade e prefere o jugo, é ele que aceita o seu mal, que o procura por todos os meios.

Que mais é preciso para possuir a liberdade do que simplesmente desejá-la?

Se basta um ato de vontade, se basta desejá-la, que nação há que a considere assim tão difícil?

Tomai a resolução de não mais servirdes e sereis livres. Não vos peço que o empurreis ou o derrubeis, mas somente que o não apoieis.

Esta boa mãe deu-nos a todos a terra para nela morarmos, albergou-nos a todos numa mesma casa, moldou-nos a todos numa mesma massa, para assim todos podermos mirar-nos e reconhecer-nos uns nos outros; a todos em comum outorgou o grande dom da voz e da palavra para sermos mais amigos e mais irmãos e, pela comum e mútua declaração dos nossos pensamentos, estabelecermos a comunhão de nossas vontades.

Não há dúvida de que somos todos companheiros e ninguém poderá jamais admitir que a natureza, integrando-nos a todos numa sociedade, tenha destinado uns para escravos.

Não há dúvidas, pois, de que a liberdade é natural e que, pela mesma ordem e de idéias, todos nós nascemos não só senhores da nossa alforria mas também com condições para a defendermos.

Começamos a domesticar o cavalo, desde o momento em que ele nasce, preparamo-lo para nos servir e não podemos glorificar-nos de que, uma vez domado, ele não morde o freio e não se empina quando o esporeamos, como se (assim parece) quisesse mostrar à natureza e testemunhar por essa forma que serve não de boa vontade mas por ser obrigado a servir.

Todas as coisas que têm sentimento sentem a dor da sujeição e suspiram pela liberdade;

Há três espécies de tiranos. Refiro-me aos maus príncipes. Chegam uns ao poder por eleição do povo, outros por força das armas, outros sucedendo aos da sua raça.

Os que chegam ao poder pelo direito da guerra portam-se como quem pisa terra conquistada.

Os que nascem reis, as mais das vezes, não são melhores; nascidos e criados no sangue da tirania, tratam os povos em quem mandam como se fossem seus servos hereditários; e, consoante a compleição a que são mais atreitos, avaros ou pródigos, assim fazem do reino o que fazem com outra herança qualquer.

Sendo diversos os modos de alcançar o poder, a forma de reinar é sempre idêntica.

Os eleitos procedem como quem doma touros; os conquistadores como quem se assenhoreia de uma presa a que têm direito; os sucessores como quem lida com escravos naturais.

Se acaso hoje nascesse um povo completamente novo, que não estivesse acostumado à sujeição nem soubesse o que é a liberdade, que ignorasse tudo sobre uma e outra coisa, incluindo os nomes, e se lhe fosse dado a escolher entre o ser sujeito ou o viver a liberdade, qual seria a escolha desse povo?

Não custa a responder que prefeririam obedecer à razão em vez de servirem a um homem.

Uma coisa é certa, porém: os homens, enquanto neles houver algo de humano, só se deixam subjugar se foram forçados ou enganados; Muitas vezes perdem a liberdade porque são levados ao engano.

Incrível coisa é ver o povo, uma vez subjugado, cair em tão profundo esquecimento da liberdade que não desperta nem a recupera; antes começa a servir com tanta prontidão e boa vontade que parece ter perdido não a liberdade mas a servidão.

É verdade que, a princípio, serve com constrangimento e pela força; mas os que vêm depois, como não conheceram a liberdade nem sabem o que ela seja, servem sem esforço e fazem de boa mente o que seus antepassados tinham feito por obrigação.

Não pode negar-se que a natureza tem força para nos levar aonde ela queira e fazer a nós livres ou escravos; mas importa confessar que ela tem sobre nós menos poder do que o costume e que a natureza, por muito boa que seja, acaba por se perder se não for tratada com os cuidados necessários.

Como acontece com as árvores de fruto, possuidoras de uma natureza própria que conservarão enquanto as deixarem; mas passarão a ter outra e a dar frutos estranhos, não os delas, a partir do momento em que sejam enxertadas.

Há países em que o Sol aparece de modo diverso daquele a que estamos habituados: depois de brilhar durante seis meses seguidos, deixa-os ficar mergulhados na escuridão, nunca os visitando no meio do ano; se os que nasceram durante essa longa noite nunca tivessem ouvido falar do dia, seria de espantar que eles se habituassem às trevas em que nasceram e nunca desejassem a luz?

Nunca se lastima o que não se conhece.

É natural no homem o ser livre e o querer sê-lo; mas está igualmente na sua natureza ficar com certos hábitos que a educação lhe dá. Assim, a primeira razão da servidão voluntária é o hábito: provam-no os cavalos sem rabo que no princípio mordem o freio e acabam depois por brincar com ele; e os mesmos que se rebelavam contra a sela acabam por aceitar.”

Por isso a educação jamais deve estar a serviço da tirania, mas da liberdade, da natureza. Deve ser libertadora.

“Sempre haverá umas poucas almas melhor nascidas do que outras, que sentem o peso do jugo e não evitam sacudi-lo, almas que nunca se acostumam à sujeição. São esses dotados de claro entendimento e espírito clarividente; não se limitam, como o vulgo, a olhar só para o que têm adiante dos pés, olham também para trás e para frente e, estudando bem as coisas passadas, conhecem melhor o futuro e o presente.

Esses, ainda quando a liberdade se perdesse por completo e desaparecesse para sempre do mundo, não deixariam de imaginá-la, de senti-la e saborear.

Os livros e a doutrina, mais do que qualquer outra coisa, dão aos homens a capacidade de se conhecerem e de odiarem a tirania.
A tirania subtrai-lhes toda e qualquer liberdade de agir, de falar e quase de pensar.

Mas, voltando ao assunto principal de que me afastei: a primeira razão que leva os homens a servirem de boamente é o terem nascidos e sido criados na servidão. A esta soma-se outra que é a de, sob a tirania, os homens se tornarem covardes.

Atrair o pássaro com o apito ou o peixe com a isca do anzol é mais difícil que atrair o povo para a servidão.

Os teatros, os jogos, as farsas, os espetáculos, as feras exóticas, as medalhas, os quadros e outras bugigangas eram para os povos antigos engodos da servidão, preço da liberdade, instrumentos da tirania.

Deste meio, desta prática, destes engodos se serviam os tiranos para manterem os antigos súditos sob o jugo. Os povos, assim ludibriados, achavam bonitos estes passatempos, divertiam-se com o vão prazer que lhes passava diante dos olhos e habituavam-se a servir com simplicidade igual, se bem que mais nociva, à das crianças que aprendem a ler atraídas pelas figuras coloridas dos livros iluminados.

Quem mais do que os tiranos tem conseguido para sua segurança, habituar o povo não só à obediência e à servidão, mas até à devoção?

Passarei agora a um ponto que, a meu ver, constitui o segredo e a mola da dominação: o apoio e o alicerce da tirania.

Parece à primeira vista incrível, mas é a verdade. São sempre quatro ou cinco os que estão no segredo do tirano, são esses quatro ou cinco que sujeitam o povo à servidão.” Entende-se 4 ou 5 não literalmente.

“Sempre foi a uma escassa meia dúzia que o tirano deu ouvidos, foram sempre esses os que lograram aproximar-se dele ou ser por ele convocados, para serem cúmplices das suas crueldades, companheiros dos seus prazeres, alcoviteiros de suas lascívias e com ele beneficiários das rapinas.

Tal é a influência deles sobre o caudilho que o povo tem de sofrer não só a maldade dele como também a deles. Essa meia dúzia tem ao seu serviço mais seiscentos que procedem com eles como eles procedem com o tirano. Abaixo destes seiscentos há seis mil devidamente ensinados a quem confiam ora o governo das províncias ora a administração do dinheiro, para que eles ocultem as suas avarezas e crueldades, para serem seus executores no momento combinado e praticarem tais malefícios que só à sombra deles podem sobreviver e não cair sob a alçada da lei e da justiça. E abaixo de todos estes vêm outros.

Os que giram em volta do tirano e mendigam seus favores, não se poderão limitar a fazer o que ele diz, têm de pensar o que ele deseja e, muitas vezes, para ele se dar por satisfeito, têm de lhe adivinhar os pensamentos. Não basta que lhe obedeçam, têm de lhe fazer todas as vontades.

Será isto viver feliz? Será isto vida? Haverá no mundo coisa mais insuportável do que isto?
Não me refiro sequer a homens bem nascidos, mas sim a quem tenha o sentido do bem comum ou, para mais não dizer, cara de homem.
Haverá condição mais miserável do que viver assim, sem ter nada de seu, sujeitando a outrem a liberdade, o corpo, a vida?
Bom será pensar que, se alguns poucos ganharam riquezas, pouquíssimos foram os que as conservaram.

A verdade é que o tirano nunca é amado nem ama.

A amizade é uma palavra sagrada, é uma coisa santa e só pode existir entre pessoas de bem, só se mantém quando há estima mútua; Não cabe amizade onde há crueldade, onde há deslealdade, onde há injustiça. Quando os maus se reúnem, fazem-no para conspirar, não para travarem amizade. Apóiam-se uns aos outros, mas temem-se reciprocamente. Não são amigos, são cúmplices.

Por isso é que entre os ladrões reina a maior confiança, no dividir do que roubaram; todos são pares e companheiros e, se não se amam, temem-se pelo menos uns aos outros e não querem, desunindo-se, tornar-se mais fracos.

Quanto ao tirano, não é companheiro de ninguém, antes é senhor de todos.

Ergamos os olhos para o Céu, seja por amor da nossa honra, seja pelo amor da própria virtude, olhemos para Deus Todo-poderoso, testemunha certa de nossos atos e justo juiz de nossas faltas.

De minha parte, penso, e não me engano, que nada há de mais contrário a um Deus liberal e bondoso, do que a tirania e que ele reserva aos tiranos e seus cúmplices um castigo especial.”

Você leitor faça suas analogias e conclusões.
O VOTO é a nossa arma e resposta.

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Textos extraídas do “Discurso Sobre a Servidão Voluntária” de Etienne de La Boétie em

CULTURABRASIL.ORG

PENTECOSTES

 A palavra “Pentecostes” vem do grego e significa “o 50º dia” . É uma das grandes festas judaicas. Em  Ex. 23,14-17 é chamada de festa da colheita ou festa das primícias da colheita do trigo. Em Ex 34,22 é chamada de festa das semanas, pois a colheita do trigo acontecia nas 7 semanas subsequentes à festa dos ázimos  (Lv 23,15-21). Em Dt 16,9-12, o dia das primícias acontecia 7 semanas depois do inicio da colheita do trigo.

Evidentemente, a festa, de origem agrícola, era uma celebração de ação de graças pelos primeiros (primícias) frutos (trigo) colhidos no ano.  Nesta festa era oferecido a Deus os primeiros frutos colhidos.

Na antigüidade judaica o primeiro e o último dia de um período eram contados como sendo um único dia.

Mais tarde essa festa foi associada à recordação da conclusão da Aliança no Monte Sinai e da entrega do Decálogo (Os 10 mandamentos) a Moisés.

 No Novo Testamento a festa de Pentecostes ganha um sentido cristológico, isto é, 50 dias após a morte e ressurreição de Jesus os primeiros frutos de sua pregação começam a aparecer, por exemplo a pregação de S. Pedro e a saída dos apóstolos da clandestinidade. Os apóstolos saem para continuarem a pregação do Reino iniciada por Jesus.

Lemos em Atos 2,1ss que no dia de Pentecostes o Espírito Santo pousou sobre cada um deles e começaram a falar em línguas que era compreendida por ouvintes. Esta mensagem, se associarmos ao relato da Torre de Babel, vamos entender perfeitamente o sentido de Pentecostes. No relato da Torre de Babel, o egoísmo, a inveja, o desejo do homem ser mais do que ele é (atingir o céu, ser deus) o levou a sua desintegração humana e social. Em Cristo, sob a ação do Espirito Santo de Deus, há o retorno à unidade primitiva da criação e ao mesmo tempo a universalização do Reino, isto é , Cristo não trouxe o seu Reino e a salvação apenas para os judeus, mas para toda a humanidade. Essa é a missão dos apóstolos que, impulsionados e iluminados pelo Espírito Santo saem a pregar o Evangelho de Jesus Cristo ressuscitado. A Igreja por sua vez é o lugar, meio e instrumento para continuar essa missão universal de paz e unidade iniciada por Cristo e os apóstolos.

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José Luiz Cruz Duarte

A festa da Páscoa, desde sua origem no judaísmo, é símbolo, celebração da libertação, renovação, esperança.

No mundo cristão, essa libertação tem o Cristo como centro, pois nEle e por Ele o homem pode sonhar e buscar a perfeita humanidade e o verdadeiro sentido da vida humana.

Por Ele o homem encontra o caminho da libertação do egoísmo, da corrupção, injustiça social; por Ele se busca a solidariedade, a comunhão, a fraternidade, a sustentabilidade.

Viva Cristo, o ressuscitado!!!

A Igreja Católica a partir da quarta feira de cinzas inicia o tempo litúrgico chamada de QUARESMA.

A palavra tem sua origem no latim e significa quadragésima.

Esse tempo litúrgico se refere aos 40 dias que se antecedem ao domingo de Páscoa ou à ressurreição de Jesus.

E por que do número 40?

Encontramos na bíblia várias passagens se referindo ao número 40. Por exemplo:

  • os 40 anos de travessia do Egito à terra prometida realizada pelo povo judeu sob o comando de Moisés. Foram 40 anos de experiência humana e religiosa, sofrimento, alegria, conversão, penitência, purificação, alegria, fé, esperança até chegar a tão esperada Terra Prometida por Deus. O que parecia Utopia se tornou realidade.
  • Moisés sobe ao monte para orar e lá permanece por 40 dias (Ex 24,18);
  • Choveu durante 40 dias e 40 noites, segundo o relato do dilúvio;
  • Jesus passou 40 dias e 40 noites no deserto se preparando para a sua missão;
  • Jesus permaneceu 40 dias entre a ressurreição e sua ascenção aos céus (At 1,3);

O número 40 na Bíblia vem simbolizando o tempo de provação, de preparação, de purificação, de renovação.

Para nós Cristãos Católicos, a quaresma significa tempo de preparação, de purificação, conversão, de fé e esperança aguardando a chegada do Ressuscitado, o centro e sentido de nossa fé e de nossa crença.

By José Luiz Cruz Duarte

* Onde mora a caridade e sabedoria,
aí não há nem temor nem ignorância.
* Onde mora a paciência e humildade,
aí não há ira nem perturbação.
* Onde mora a pobreza com alegria,
aí não há cobiça nem avareza.
* Onde mora o recolhimento e a meditação,
aí não há desassossego nem dissipação.
* Onde o amor de Deus guarda a porta (Lc 11, 21)
aí não pode entrar o inimigo.
* Onde mora a misericórdia e descrição,
aí não há nem superfluidade nem dureza de coração.

(S.Francisco de Assis – Exortações)

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